A Jornada é Interior
- moniqueaayala
- 22 de jun.
- 2 min de leitura

Entre as muitas definições possíveis para o método Pilates, poucas são tão profundas quanto esta reflexão de Mary Bowen, uma das discípulas diretas de Joseph Pilates. Em poucas palavras, ela sintetiza algo que frequentemente se perde quando o método é reduzido apenas a exercícios físicos: o Pilates é uma prática de autoconhecimento.
É de Joseph Pilates a frase: "É a mente que comanda o corpo". Seu método, originalmente chamado de Contrologia, baseava-se na ideia de que o movimento consciente poderia restaurar a saúde, a vitalidade e a eficiência corporal. Cada exercício exigia atenção, precisão e intenção.
Em um mundo acelerado, passamos grande parte do tempo desconectados das sensações físicas que geralmente são geradas pelo nosso emocional. O Pilates propõe justamente o contrário: uma reconexão com o corpo através da atenção. É um método de corpo, mente e espírito.
Para Mary, essa experiência não se limita ao aspecto físico ou mental. Ela a descreve como uma “jornada espiritual para dentro do corpo”. Acredito que a palavra espiritual, não está necessariamente ligada à religião. Refere-se à capacidade de voltar-se para si mesmo, de desenvolver presença e de cultivar uma relação mais profunda com a própria existência. Ao prestar atenção à respiração, ao alinhamento, ao equilíbrio e às sensações internas, o praticante começa a perceber aspectos de si que normalmente permanecem ocultos sob a correria do dia a dia.
Estudos sobre consciência corporal mostram que a capacidade de perceber sensações internas — conhecida como interocepção — está associada à regulação emocional, à redução do estresse e ao aumento do bem-estar. Quanto mais atentos estamos ao corpo, maior tende a ser nossa capacidade de responder de forma equilibrada aos desafios da vida.
Mary Bowen nos lembra que essa transformação pode ser vista como uma jornada. Uma jornada que não busca a perfeição física, mas uma compreensão mais profunda de quem somos.
Uma vez eu cheguei super atrasada em um curso porque o caminho habitual que fazia para chegar ao local estava fechado naquele dia e eu não sabia outro. O Waze recalculava e me jogava para a mesma rua fechada. Quando finalmente cheguei, todos já estavam trabalhando então eu entrei no Reformer para fazer minha rotina sozinha. Quando estava avançando na aula dois professores já tinham acabado e vieram juntos me dar aula. Eles elevaram o nível e fiz uma prática linda, as outras professoras pararam para me assistir. Teve direito a second Long Box e eu tenho minhas ressalvas quanto a extensões, no entanto fiz e no corpo fiquei bem. Quando acabei, todas aplaudiram e, de repente, começou a me dar uma bizarra vontade de chorar e não era de choro bom, não. Enfim, acabei o dia, entrei no carro para ir para casa e desabei. Depois, tive que refletir. Levar até para a terapia. E, oh, não foi a única vez que algo durante a minha prática me faz refletir sobre meu mundo interior! Você já teve essa experiência?
No fim das contas, talvez o verdadeiro objetivo do Pilates não seja apenas mover melhor o corpo, mas ter contato com tudo que há dentro dele, inclusive o que é inconsciente.
Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉




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