Pilates com Monique

Pilates com Monique
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- A Jornada é Interior
Mary Bowen Entre as muitas definições possíveis para o método Pilates, poucas são tão profundas quanto esta reflexão de Mary Bowen, uma das discípulas diretas de Joseph Pilates. Em poucas palavras, ela sintetiza algo que frequentemente se perde quando o método é reduzido apenas a exercícios físicos: o Pilates é uma prática de autoconhecimento. É de Joseph Pilates a frase: "É a mente que comanda o corpo". Seu método, originalmente chamado de Contrologia, baseava-se na ideia de que o movimento consciente poderia restaurar a saúde, a vitalidade e a eficiência corporal. Cada exercício exigia atenção, precisão e intenção. Em um mundo acelerado, passamos grande parte do tempo desconectados das sensações físicas que geralmente são geradas pelo nosso emocional. O Pilates propõe justamente o contrário: uma reconexão com o corpo através da atenção. É um método de corpo, mente e espírito. Para Mary, essa experiência não se limita ao aspecto físico ou mental. Ela a descreve como uma “jornada espiritual para dentro do corpo”. Acredito que a palavra espiritual, não está necessariamente ligada à religião. Refere-se à capacidade de voltar-se para si mesmo, de desenvolver presença e de cultivar uma relação mais profunda com a própria existência. Ao prestar atenção à respiração, ao alinhamento, ao equilíbrio e às sensações internas, o praticante começa a perceber aspectos de si que normalmente permanecem ocultos sob a correria do dia a dia. Estudos sobre consciência corporal mostram que a capacidade de perceber sensações internas — conhecida como interocepção — está associada à regulação emocional, à redução do estresse e ao aumento do bem-estar. Quanto mais atentos estamos ao corpo, maior tende a ser nossa capacidade de responder de forma equilibrada aos desafios da vida. Mary Bowen nos lembra que essa transformação pode ser vista como uma jornada. Uma jornada que não busca a perfeição física, mas uma compreensão mais profunda de quem somos. Uma vez eu cheguei super atrasada em um curso porque o caminho habitual que fazia para chegar ao local estava fechado naquele dia e eu não sabia outro. O Waze recalculava e me jogava para a mesma rua fechada. Quando finalmente cheguei, todos já estavam trabalhando então eu entrei no Reformer para fazer minha rotina sozinha. Quando estava avançando na aula dois professores já tinham acabado e vieram juntos me dar aula. Eles elevaram o nível e fiz uma prática linda, as outras professoras pararam para me assistir. Teve direito a second Long Box e eu tenho minhas ressalvas quanto a extensões, no entanto fiz e no corpo fiquei bem. Quando acabei, todas aplaudiram e, de repente, começou a me dar uma bizarra vontade de chorar e não era de choro bom, não. Enfim, acabei o dia, entrei no carro para ir para casa e desabei. Depois, tive que refletir. Levar até para a terapia. E, oh, não foi a única vez que algo durante a minha prática me faz refletir sobre meu mundo interior! Você já teve essa experiência? No fim das contas, talvez o verdadeiro objetivo do Pilates não seja apenas mover melhor o corpo, mas ter contato com tudo que há dentro dele, inclusive o que é inconsciente. Veja mais reflexões inspiradas em frases de Mary Bowen aqui. Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- Tendon Strech - Stomach Massage - May the Reformer be with You 2025
Tendon Strech - Stomach Massagem - Pilates O Tendon Strech é um avançado que é inserido logo após a sequência de Stomach Massage, pois é considerado o último exercício desta sequência. Se a gente olhar de perto é a mesma posição do Round. Round Stomach Massage Pilates Reformer Tendo Strech - Stomach Massage - Reformer Se a gente rodar as imagens chegaremos ao mesmo formato. As características do sistema avançado são: pouco apoio, os braços passam a ser mais ativos porque contamos com eles para nos apoiar, movimentos em todas as direções. Para chegarmos a isso já temos que ter internalizado o que aprendemos no sistema básico e intermediário, do contrário os braços vão fazer todo o esforço e Pilates não é sobre segmentos é sobre o todo. Então o Tendon Strech é um Stomach Massagem com mais desafio. Quando ficamos de cabeça para baixo colocamos a prova nossa orientação no espaço e com a movimentação trabalhamos o sistema vestibular. Fazemos oalongamento da cadeia posterior como no Round mas adicionamos mais peso, que no caso é o nosso, sobre os tendões do calcaneo gerando maior tensão em toda a cadeia. Podemos evoluir entrando abrindo o peito sem entrar em extensão, como no Arms Back, quando estamos com o quadril já embaixo e o carro aberto e voltamos ao round para fechar o carro, ou seja, passamos de uma estabilização ativa das posturas no Stomach Massagem para trabalhá-las dinamicamente. Veja mais dicas sobre como introduzir o exercício em alunos regulares do estúdio no vídeo: Se quiser explorar um pouco mais o mundo do Pilates Clássico veja a sequência Stomach Massage, clique aqui! Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- Stomach Massage - May the Reformer be with You 2025
Stomach Massagem - Pilates Reformer A sequência do Stomach Massage está no, que é considerado didaticamente, sistema básico do Reformer. Não por ser considerada fácil, mas por ser importante para a construção de outros exercícios. O sistema básico é caracterizado por focar em exercícios que ajudam o aluno a trabalhar e perceber seu centro de força. Também reúne exercícios em que o aluno tem apoios maiores e da preferência a exercícios que envolve a mobilização e estabilização da cintura pélvica. Logo, o Stomach Massage é sobre tudo isso. O aluno é levado uma posição de flexão da coluna no Round (posição de alongamento da região lombar normalmente sobrecarregada em hiperlordase) enquando mobiliza os quadris e entende que a barriga deve trabalhar para que haja ganho em todos os sentidos: de flexibilidade, fortalecimento, ganho para o sistema circulatório e respiratório, sem que a gente tenha que sobrecarregá-lo com informações técnicas. No Arms Back ele será levado a abrir o peito, alongar peitorais sem entrar em extensão, pois isso faria ele perder o alongamento tendo um efeito ioiô. Após vem o Reach Foward que faz ele lutar contra a rigidez dos músculos do quadril e desafiar o centro sem contar com o apoio dos braços. Por fim, já entrando no sistema intermediário, vem o Twist que testa tudo que foi aprendido nos três primeiros adicionando a rotação. Veja no vídeo dicas sobre essa sequência que engana bastante sobre o nível de dificuldade e sobre os objetivos também: Stomach Massagem Pilates Reformer Se quiser explorar um pouco mais o mundo do Pilates Clássico veja a sequência Long Stretch clique aqui! Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- O Método é o Mesmo. A Experiência é Única.
Mary Bowen - Pilates Elder Durante muitos anos, o Pilates foi apresentado como um método composto por exercícios precisos, executados de acordo com princípios bem definidos. Embora essa precisão faça parte da riqueza do método, ela pode levar a uma interpretação equivocada: a de que existe uma única forma correta de praticar Pilates. Ainda hoje existe muita vaidade no meio e muitas "certezas" sendo divulgadas, mas a realidade é muito mais ampla. Quem trabalha com alunos regulares, aqueles que não são instrutores, sabe que cada corpo encontra o seu caminho. Claro que todo professor tem que saber como o método funciona pedagogicamente para não antecipar passos e colocar os alunos em risco, mas dentro de sua aula deve lembra que cada pessoa chega ao estúdio trazendo uma história única. Há corpos jovens e envelhecidos, atléticos e sedentários, flexíveis e rígidos, saudáveis e em processo de recuperação. Há também experiências emocionais, hábitos de movimento, medos, limitações e objetivos diferentes. Diante dessa diversidade, como poderia existir apenas uma forma de praticar Pilates? O método criado por Joseph Pilates nasceu para desenvolver seres humanos mais conscientes, fortes e integrados. Seu propósito não era criar cópias perfeitas de movimentos, mas oferecer ferramentas para que cada pessoa encontrasse uma relação mais harmoniosa com o próprio corpo. Existem fotos do mesmo exercício sendo praticado de forma diferente por diferentes alunos, por isso quando buscamos reproduzir um exercício de maneira idêntica para todos, corremos o risco de perder algo essencial: a individualidade. O movimento deve ser uma experiência de autoconhecimento e não uma tentativa de alcançar um modelo externo. O verdadeiro desafio do Pilates não é executar um exercício exatamente como aparece em uma fotografia ou vídeo. O desafio é compreender como aquele movimento pode servir ao corpo que está presente naquele momento. Um mesmo exercício pode ter significados completamente diferentes para pessoas diferentes. Para alguém, pode representar fortalecimento. Para outra pessoa, pode significar confiança. Para outra, ainda, pode ser um passo importante na recuperação da mobilidade ou na redução da dor. Por isso, o papel do instrutor vai muito além de ensinar exercícios. Ele observa, adapta, escuta e cria caminhos para que cada praticante encontre sua própria experiência dentro do método. Quando compreendemos isso, deixamos de perguntar "Estou fazendo certo?" e começamos a perguntar "O que este movimento está me ensinando?". Por isso, vale lembrar: Seu Corpo, Sua História, Seu Pilates Quem foi Mary Bowen? Mary Bowen foi uma das mais importantes representantes da primeira geração de professores de Pilates. Ela estudou diretamente com Joseph e Clara Pilates em Nova York a partir da década de 1950, tornando-se uma das chamadas Pilates Elders — o grupo de alunos que conviveu e aprendeu diretamente com os criadores do método. Ao longo de sua trajetória, Mary Bowen destacou-se por sua visão humanista do movimento. Influenciada também pela psicologia e por abordagens de desenvolvimento pessoal, defendia que o Pilates não deveria ser visto apenas como um sistema de exercícios, mas como uma ferramenta para ampliar a consciência corporal e a conexão entre corpo e mente. Sua forma de ensinar valorizava a singularidade de cada aluno, reforçando a ideia de que o método deve servir à pessoa — e não a pessoa ao método. Esse legado continua inspirando profissionais em todo o mundo que acreditam em um Pilates mais individualizado, respeitoso e centrado no ser humano. Veja mais sobre os Elders aqui.
- Sequência do Long Stretch - May the Reformer be With You 2025
Long Stretch Pilates Reformer Quando começamos a introduzir o Long Stretch é como se o aluno tivesse "trocado de faixa". Até então o único exercício que ele fez com apoio em mãos e dedos foi o Kneeling Knee Stretch Off e Elephant (que são introduzidos na sequência básica do Reformer). Porém o Knees Off é feito dobrando e esticando os joelhos sem movimento nos braços e o Elephant é um movimento pequeno das pernas, por tanto, os dois geram uma alavanca menor. O Long Stretch é um grande desafia a estabilidade do corpo e por isso é mesmo uma "troca de faixa" ou seja um grande avanço. A sequência segue essa ordem: Long Stretch Down Stretch Up Stretch Elephant Long Back Stretch No entanto, o primeiro a ser introduzido já no sistema básico é o Elephant que tem um movimento curto, seguro, difícil e muito importante porque toda a sequência vai depender do que o aluno vai aprender no Elephant. Toda a ideia é fechar o carro com o centro do corpo e mesmo mudando a forma da coluna nos diversos exercícios a essência começa mesmo na introdução do Elephant logo no sistema básico. Após algum tempo de prática é que vamos introduzir o resto da sequência nesta ordem: Primeiro o Long, depois o Down e por último o Up Stretch. Provavelmente não na mesma aula e um de cada vez após um tempo de treinos regulares. O Long Back Stretch é classificado didaticamente como um avançado, por isso vai entrar bem depois. Nos vídeos explico algumas dicas sobre os exercícios e sobre como introduzi-los nas aulas. Long Stretch e Down Stretch Pilates Reformer Up Stretch e Elephant Pilates Reformer Explore o mundo do Pilates Clássico: Veja a serie de Shot Box clique aqui! Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- Long Back Stretch - May the Reformer be with you 2025
Long Back Stretch Pilates Reformer O Long Back Stretch faz parte da sequência de Long Stretch,porém é didaticamente considerado um avançado, por isso é importante ter paciencia para introduzi-lo, pois se colocarmos antes da hora fazemos uma lambança na aula do aluno. Se o resto da serie é considerado uma "mudança de faixa" aqui o aluno tem que estar bem mais perto de ser "faixa preta". É preciso ter sim força no braça, mas principalmente é preciso ter organização. Já vi muitos homens fortes não darem conta do Long Back. Primeiro porque como está no nome "Stretch" que significa alongamento, portanto pessoas com peitorais muito encurtados vão ter muita dificuldade. Pessoas com ombros muito largos também. No entanto, quem mais terá dificuldade será aquele aluno que ainda não entendeu que o trabalho é feito como corpo todo e não apenas com um seguimento. Não é um exercício de braço, afinal é um exercício de Pilates e neste método que tanto amamos tudo é feito para pensando no todo e não em partes isoladas. No vídeo deixo dicas sobre o exercício e sobre como introduzi-lo aos poucos nas aulas. Long Back Stretch Pilates Reformer Se quiser explorar um pouco mais a sequência Long Stretch clique aqui! Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- Controle é a base da eficiência do movimento
Lolita San Miguel Esta frase atribuída a Lolita San Miguel e logo lembrei de alguns alunos. Muitas pessoas associam alongamento a um trabalho passivo, mas alongar significa que o músculo está ganhando amplitude, ou seja, seus pontos fixados aos ossos estão se afastando. Fazemos isso de várias formas, inclusive com a contração excêntrica (ação de gerar tensão muscular enquanto o comprimento do tecido aumenta). A contração excêntrica é de difícil controle e é muito potente. É um desperdício não aproveitá-la. Sabe quando o aluna faz a volta do exercício deixando a mola voltar por ele? Logo ouvimos a mola fechar batendo, o carro do Reformer também batendo ou até mesmo o pedal da High Chair colidindo com a estrutura da parte de baixo e quando olhamos o aluno, podemos ver que o controle ficou perdido em algum lugar. Talvez na conversa, talvez na desistência ou apenas na falta de informação. Então, nunca é demais reforçar os comandos com frases do tipo: "controla a volta do movimento" ou "VOCÊ deve controlar a mola". O movimento não precisa ser lento, mas controlado. Acredito que qualquer um de fora consegue ver a diferença entre velocidade e controle (ou descontrole). Controle é o sistema nervoso recrutando, modulando e coordenando os músculos com precisão. Quando falamos de controle no movimento (outro nome para controle motor), estamos entrando diretamente no território do sistema nervoso, pois é o cérebro que organiza o corpo no espaço e no tempo. Ele planeja e ajusta o corpo para agir com mais precisão. Esse processo começa antes mesmo do movimento acontecer. (Isso me lembra que tenho um trabalho de revisão bibliográfica sobre a contração antecipada do transverso do abdômen aos movimentos de braços e pernas que um dia divido aqui, me cobrem, por favor!). Se o aluno não presta atenção, ele perde ganhos motores (corpo) e cerebrais (mente). Todo movimento conta, claro, mas trazer a atenção para os exercícios faz os resultados se potencializarem. Lembre-se sempre: O nome do método é Contrologia: a arte e a ciência do controle. Por isso,não tem como negligenciar o controle. Quem é Lolita San Miguel: Nascida em Porto Rico, iniciou seus estudos com o próprio criador do método em Nova York e tornou-se uma das principais responsáveis por preservar e transmitir o Pilates clássico. Conheceu o Pilates no estúdio de Carola Trier, mas treinou diretamente com Joseph e Clara Pilates, e foi uma das duas únicas pessoas oficialmente certificadas por Joseph Pilates ainda em vida. Ao longo de muitos anos, fundou programas de certificação, ministra workshops internacionais e forma gerações de professores, sendo reconhecida por sua abordagem rigorosa e técnica que leva o trabalho do Sr. Pilates de forma séria, mas não deixa de incluir suas próprias ideias. Veja mais sobre os Elders aqui.
- Short Box - May the Reformer be With You 2025
Short Box - Pilates Reformer Na sequência de Short Box no Reformer, o Sr. Pilates nos propões exercícios de estabilização da coluna em vários formatos e trabalha a integração da coluna com a bacia e quadris. Se pararmos para analisar direitinho nos dois primeiros exercícios o movimento acontece nos quadris, havendo uma extensão de forma excêntrica e flexão de maneira concêntrica. No primeiro exercício, assumimos a postura em Round, aquela mesma do Stomach Massage, e movemos os quadris, abrindo estas articulações, enquanto estabilizamos a coluna no formato redondo. Depois, entramos em Flat Back e também estabilizamos a coluna alta e movemos pelas coxofemorais. No Side to Side sim, articulamos a coluna. Aqui existe um mistério do método Pilates: como que um movimento relativamente menor que os outros pode nos deixar tão ofegantes? Eu não sei vocês, mas eu fico exausta! No vídeo falo um pouco mais sobre como ensinar estes exercícios. Short Box - Round, Flat Back, Side to Side O Twist também é um exercício de estabilização. Articulamos a coluna quando giramos e depois estabilizamos com o máximo de nossas forças e fé para alcançar longe mantendo a coluna alta. Não perca as dicas do vídeo. Short Box - Twist e Around the World - Pilates O Tree vem para desafiar nosso alinhamento, flexibilidade e escoliose. Um exercício unilateral cheio de pegadinhas para quem faz e para que ensina, mas também revela informações importantes sobre o aluno e sobre nós mesmos, quando somos nós os praticantes. O Side Bend prefiro nem comentar, mas tem dica no vídeo também. Short Box - Tree e Side Bend - Pilates A campanha May the Reformer be with You acontece todo mês de maio quando celebramos o Reformer executando um exercício ou sequência por dia, durante todo o mês. A ideia é estudar, praticar, relembrar e nos aprofundar numa parte do repertório deste aparelho sensacional e querido por todos sem nos esquecer de nos divertir, claro! Se quiser explorar um pouco o Horseback clique aqui! Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- Consciência: O ponto de partida da aprendizagem motora
Romana's Pilates Uma frase inspiradora de Romana. Quando analisamos essa frase sob a lente da ciência do movimento, ela descreve como o sistema nervoso aprende, adapta e transforma o corpo. A mudança não acontece por acaso. Ela segue princípios de aprendizagem motora , neuroplasticidade e adaptação tecidual . E esses princípios são alinhados com: consciência, repetição e presença. Consciência , no contexto do movimento, está diretamente relacionada à propriocepção , ou seja, a capacidade do corpo de perceber sua posição no espaço e à interocepção que é a percepção dos estados internos. Estudos em controle motor mostram que a qualidade da atenção durante a execução de um movimento influencia diretamente o recrutamento muscular e a eficiência do padrão motor . Quando o aluno faz um exercício com atenção dirigida (por exemplo, focando no alinhamento ou na respiração), há maior ativação cortical e melhor organização do movimento . Sem consciência, há apenas repetição mecânica e repetição sem consciência reforça erros. Repetição é o que transforma as tentativas em habilidade. Do ponto de vista científico, estamos falando de neuroplasticidade (capacidade do sistema nervoso de reorganizar suas conexões com base na experiência). Cada vez que um movimento é repetido circuitos neurais são reforçados , a coordenação melhora e o gasto energético diminui (o movimento fica mais eficiente. Isso é conhecido como automatização motora. No entanto, a repetição precisa ser: suficiente (volume adequado), variada (para adaptação funcional) e qualificada (com feedback e intenção) . No Pilates clássico, a repetição dos exercícios da sequência não é aleatória o que cria um ambiente previsível no qual o corpo pode refinar padrões com precisão crescente. Presença não é um conceito abstrato. Em termos neurocientíficos, ela envolve atenção sustentada e regulação do sistema nervoso. Estar presente durante o movimento melhora o processamento sensorial , aumenta a qualidade do feedback interno , reduz a execução automática sem controle . Além disso, há impacto direto no sistema nervoso autônomo. A prática consciente, com respiração coordenada, pode favorecer maior equilíbrio entre os sistemas simpático e parassimpático, contribuindo para melhor regulação do estresse. Presença é o que transforma repetição em aprendizagem. Por que isso muda o corpo (e a vida)? Quando consciência, repetição e presença estão integradas, criamos as condições ideais para um mudança real: No sistema nervoso: reorganização de padrões motores Nos tecidos: adaptação muscular e fascial No comportamento: consolidação de novos hábitos O corpo aprende por exposição consistente a estímulos específicos, com qualidade de execução. E isso extrapola o movimento. Olhar para dentro, ter uma hora de atenção plena durante a aula alcança mudanças na mente, no nosso emocional, ou seja, muda a nossa vida. Quem foi Romana Kryzanowska: Romana Kryzanowska (1923–2013) foi uma das principais discípulas de Joseph Pilates e considerada a maior responsável pela preservação e disseminação do método Pilates clássico no século XX. Em 1941: Treinou com George Balanchine na Escola de Balé Americano e sofreu uma lesão no tornozelo, por este motivo, foi encaminhada para o estúdio de Joseph Pilates. Ela começou a treinar diretamente com Joseph Pilates em Nova York e, posteriormente, assumiu a direção do estúdio original após sua morte. Romana ficou conhecida por sua abordagem rigorosa, foco na precisão e compromisso com os princípios originais do método. Durante décadas, formou professores ao redor do mundo, garantindo que o Pilates mantivesse sua essência: um sistema de treinamento baseado em controle, consciência e repetição estruturada. Seu legado permanece vivo na forma como o Pilates clássico é ensinado até hoje. Veja mais sobre os Elders aqui .
- Horseback - May the Reformer be With You 2025
Horseback Pilates Confesso que o Horseback é um exercício que segue em construção. Já o pratico há muitos anos e ainda tenho muito a desvendar sobre ele. Ele tem o mesmo formato do Teaser e eu sou boa de Teaser, não querendo me gabar, mas o Teaser não é um dos piores exercícios para mim. Eu o faço com uma certa facilidade e meu corpo entende o caminho, ainda assim quando entro na posição do Horseback parece que tenho uma pequena amnésia e me debato com todos os tipos de comandos e tilts mentais. Por isso, se você quer xingar o mundo todo quando está lutando para fazer seu Horseback sair, sinta-se acolhido por mim. Eu te entendo perfeitamente. Bom, não tenhamos pressa para resolver os mistérios de todos os exercícios, afinal vamos praticar Pilates para o resto da vida e precisamos de desafios para não ficarmos desestimulados, certo? O que sabemos sobre o Horse: É um exercício corretivo para joelhos varos, por isso não demanda rotação externa. Quem aí não quer rodar a perna para fora para acionar melhor os glúteos como fazemos em diversos exercícios? 🙋♀️ Porém, deixe passar esta vontade porque não é ideal. Tente manter os joelho voltados para cima e use os adutores. Como todo exercício tem a mesma ideia de forças opostas, por isso as pernas vão para longe e não para baixo. Mandar a perna para longe e fazer o sculp (barriga para dentro e para cima) dá uma gostosa sensação de alongar a lombar. Tem a forma do Teaser em uma outra angulação, por isso a lombar está alongada mas o peito não de fecha. No vídeo abaixo divido algumas dicas que podem ajudar. Horseback - May the Reformer be With You 2025 No mais, existem outros exercícios e aparelhos que podem nos ajudar: Spine Stretch, Open Leg Rocker, Tower, Push the Pedal Down (Wunda), o Barril, por exemplo, e persistência, claro! Se quiser explorar um pouco o Teaser clique aqui! Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- Simplicidade Desenvolve Qualidade
Pulling Straps Reformer Intermediário Sem dúvida nenhuma, substituir os Straps por pesos em exercícios como o Pulling Straps, Backstroke e Teaser no Reformer, tira um pouco a complexidade e isso é exatamente o que torna essa variação tão valiosa. Mais simplicidade ajuda a compreendê-los cada vez melhor e nos dá a oportunidade de lapidá-los um pouco mais. Com pesos, o carro fica parado e os movimentos denunciam, sem margem à dúvidas, não só um entendimento equivocado do exercício, mas onde está a dificuldade (que é bem singular, cada pessoa tem a sua) e os desalinhamentos. Mesmo professores experientes se beneficiam enormemente ao observar o Pulling Straps nesse formato. É por isso que essa variação não é útil apenas para alunos iniciantes. Pelo contrário: todos devem experimentar . E aqui entra um ponto fundamental: a dificuldade de um exercício não está na variação em si, mas na importância que o aluno dá àquele momento de aprendizado. E vejam, o aprendizado não é Pilates. Nós, instrutores, já somos os especialistas no método. O que o aluno precisa entender é o que se passa com seus corpo e mente, ou seja, precisa aprender sobre si mesmo — sobre o próprio corpo, suas estratégias, seus hábitos de movimento e, inevitavelmente, sua forma de se relacionar com o desafio. Quanto mais importância o aluno dá ao seu próprio conhecimento e aprendizado, mais rico e profundo (ou, para ser honesta, mais difícil!) fica cada exercício. Se você é professor e nunca experimentou, experimente. Observe como se sente, pois é exatamente aí que o verdadeiro Pilates começa. Veja mais sobre o Pulling Straps: aqui! Obrigada pela visita e por fazer parte do meu mundo, nos vemos no próximo post! 😉
- O Valor de uma Forte Base
Uma reflexão a partir de Kathy Grant Quem dá aulas para grupos tem uma experiência intensa. Os grupos enfatizam o sentimento de vaidade. A vaidade é um sentimento ligado à super valorização do ego, à necessidade de aprovação alheia e à preocupação com a imagem (uma explicação muito por alto, pois não sou psicóloga). Toda mundo tem aluno vaidoso. A verdade é que todos nós temos vaidade de alguma forma. Como ninguém gosta de se sentir inferior ou menos valorizado, temos sentimentos que nos levam a competir em algum nível. Grupos estimulam, mesmo sem querer, a competição. (Se você, como eu, dá aula para alunos regulares em grupo, nem vou esperar o final do post para deixar meu abraço de coração a coração porque você, com certeza, precisa de acolhimento.) Kathy Grant foi uma aluna direta do Sr. Pilates e da Sra. Clara. Ela é responsável por criar uma série de exercícios conhecida como Before de Hundred para construir uma forte base antes de introduzir o Hundred. Quem dá aula para alunos regulares que chegam com diferentes questões, condicionamentos e lesões sabe que muitas vezes não dá para começar com os exercícios da forma como fazem os praticantes de longa data. É preciso entender o que o aluno tem para dar quando ele chega e fracionar os exercícios para fazê-los funcionar dentro da realidade do aluno. Muita carga, muita velocidade e muita amplitude são usadas em pessoas que são capazes de mostrar eficiência no movimento. Normalmente leva-se muito tempo para ter um bom nível de eficiência. Nada (que valha a pena na vida) é construído de forma rápida e sem esforço. A notícia boa é que, no geral, os alunos ficam tempo suficiente para que possamos construir um movimento de qualidade juntos. Precisamos de qualidade , organização e consciência . O movimento em grande amplitude num corpo despreparado revela desalinhamentos, compensações e falta de controle. Quando reduzimos a amplitude, retiramos o “embalo” e obrigamos o corpo a trabalhar com precisão, ou seja, com controle. O repertório básico do Pilates já é suficientemente complexo e exige organização do centro, da respiração e das conexões entre tronco e membros. Se o aluno não consegue manter essa organização em um gesto pequeno, ampliar o movimento apenas amplia o erro. Do ponto de vista neuromotor, o movimento pequeno é onde o sistema nervoso aprende. É nele que se constrói coordenação, timing e economia de esforço. A progressão de carga e amplitude só faz sentido quando existe uma base sólida de controle. Caso contrário, o corpo encontra atalhos — e esses atalhos costumam custar caro ao longo do tempo. Nós, instrutores, podemos refletir: nem sempre “mais” é melhor. Às vezes, reduzir o movimento, desacelerar o ritmo e diminuir a carga é o caminho para refinar a execução e para se chegar mais rápido a evolução real e sustentável. Ensinar alguém a fazer um movimento pequeno com excelência é ensinar essa pessoa a se mover melhor em qualquer escala — no estúdio e na vida cotidiana. Para os instrutores, além do meu abraço já dado, fica uma dica: nenhum aluno sabe o que você vai fazer com ele, a aula é sua, você é o especialista. Pense bem antes de introduzir uma variação mais avançada de algum exercício ou permitir que o aluno a faça por que viu o coleguinha fazer. Uma vez que essa liberdade é dada (principalmente em aula em grupo) fica mais difícil voltar atrás, pois o aluno se sente fracassado e inferior. É mais simples explicar para o aluno, caso ele pergunte ou cole do amiguinho, que o melhor para ele é a forma como ele faz. O conceito de forte e fraco não se aplica da forma como ele imagina, mas fraco é aquele que pula etapas e faz movimentos de forma ineficiente e perigosa e forte são aqueles que respeitam o processo e apreciam a caminhada. Um pouco sobre Kathy Grant (1921–2010): foi uma das mais importantes mestras do Pilates Clássico. Aluna direta de Joseph e Clara Pilates , ela teve papel fundamental na preservação e na evolução do método, especialmente no trabalho de mat e nos princípios de organização corporal. Conhecida por sua abordagem criativa, profunda e altamente sensorial, Kathy desenvolveu variações e exercícios que enfatizam consciência, precisão e inteligência de movimento. Durante décadas, foi professora no Tisch School of the Arts da Universidade de Nova York, influenciando gerações de bailarinos e professores de Pilates ao redor do mundo. Seu legado vai além dos exercícios: Kathy Grant ensinou a pensar o movimento , a respeitar os processos do corpo e a compreender que a verdadeira força nasce do controle, não do esforço excessivo. Veja mais sobre grandes mestre de Pilates: Ron Fletcher











