Movimento: uma forma de viver
- moniqueaayala
- 4 de jan.
- 3 min de leitura

Vivemos em um mundo que frequentemente associa movimento a desempenho, resultado ou obrigação. Nós professores nos cobramos um grau de perfeição inatingível e às vezes esta cobrança acaba por nos desestimular e, ao invés de nos dar energia e prazer, nos sentimos esgotados emocionalmente ao final dos treinos. Quem nunca?
No entanto, quando olhamos com mais atenção, percebemos que o movimento é muito mais do que exercício físico: ele é expressão, adaptação, comunicação e continuidade. Assim como a vida, o corpo está em constante mudança, ajuste e aprendizado.
Não deveríamos pensar em intensidade excessiva (diz Pilates em seu livro: nem muito, nem pouco) ou pressa, mas em observar mente e corpo com curiosidade. Explorar novas possibilidades corporais e estar aberto ao processo é o que desenvolve o corpo, a mente e é o que nos leva ao auto conhecimento.
No movimento consciente, o entusiasmo nasce quando deixamos de “executar” e passamos a sentir.
Quando o movimento deixa de ser um dever e passa a ser um encontro, passamos a nos mover com menos cobrança e mais alegria. Alegria traz leveza. Alegria é perceber que o corpo responde quando é respeitado, que a respiração guia o ritmo, que existe prazer em habitar o próprio corpo sem cobranças excessivas.
É interessante quando Ron cita a gratidão. Às vezes esquecemos de agradecer por algo que achamos ter de forma garantida. Gratidão por poder mover-se hoje através de um corpo saudável que nos sustenta, se adapta e aprende. Quando praticamos o movimento com gratidão, mudamos completamente a relação com o corpo: ele deixa de ser algo a ser corrigido e passa a ser algo a ser cuidado.
No Pilates, não devemos buscar perfeição estética nem performance absoluta, mas coerência, fluidez e consciência. Da mesma forma, na vida, não se trata de controlar cada passo, mas de perceber o caminho. Não se trata de rigidez, mas de equilíbrio entre força e suavidade.
Encarar o movimento como a vida é compreender que ambos se tornam mais ricos quando vividos com respeito ao ritmo individual.
Que possamos nos mover, no Pilates e na vida, com mais entusiasmo pelo processo, mais alegria no percurso e mais gratidão por cada possibilidade de continuar em movimento. Porque enquanto há movimento, há vida.
Um Pouco Sobre Ron: Ron Fletcher (1921–2011) foi um influente mestre de Pilates, coreógrafo e dançarino, reconhecido como um dos "Pilates Elders" — os discípulos diretos que preservaram e expandiram o legado de Joseph e Clara Pilates.
Fletcher treinou com o casal por mais de 20 anos. Após a morte de Joseph em 1967, ele continuou seus estudos com Clara, que o incentivou a levar o método para o Oeste dos Estados Unidos. Em 1972, ele abriu o primeiro estúdio de Pilates em Beverly Hills, atendendo celebridades de Hollywood como Nancy Reagan e Ali MacGraw.
O Legado e a Técnica Fletcher
Ron Fletcher não apenas replicou o método clássico, mas o evoluiu para um programa de movimento mais dinâmico, criando o Fletcher Pilates®:
Inovações: Introduziu técnicas de respiração percussiva e movimentos em pé.
Novas Modalidades: Desenvolveu o Towelwork (trabalho com toalha), Floorwork e Barrework.
Filosofia: Defendia a precisão e a integração entre corpo, mente e espírito.
Fletcher faleceu em 6 de dezembro de 2011, aos 90 anos. Sua escola continua formando professores no mundo todo.




Comentários